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A revolução não televisionadaA revolução digital é um processo sutil e vagaroso que vem tomando corpo, ensinando a nova geração a compartilhar conhecimento. Uma nova ordem está sendo construída. Uma promessa para uma humanidade capaz de reviver o amor [Lévy, 46; Weinberger; 45]. A revolução dos bits se contrapõe ao padrão da sociedade ocidental. A cultura hacker já se deu conta que é possível quebrar paradigmas. Embora, para entender esta ruptura dos paradigmas temos que pensar e participar, pois a sociedade em redes pressupõe o engajamento das pessoas, ou melhor, não existe redes sem pessoas se inter-relacionando. Barabási diz: A Internet é uma rede complexa de computadores conectados por cabos. A economia é uma rede complexa de empresas, consumidores e agências reguladoras; A sociedade é uma rede complexa de pessoas conectadas por amizades, famílias e laços profissionais. Foi somente nos anos recentes que percebemos a importância do papel que essas redes tem na moldagem do comportamento de sistemas mais complexos. (...) Um dos achados mais surpreendentes é que a maioria das redes na natureza são muito similares umas as outras. As redes sociais não são diferentes do que as redes químicas de quatro milhões de anos que encontramos nas células ou da recente World Wide Web [Barábasi, 01]. Para Arquilla e Ronfeldt a emergência das formas de organização em rede, na esteira da propalada 'revolução da informação', encontra amplo favorecimento no seio da sociedade global e anuncia uma profunda transformação na estruturação do mundo contemporâneo: As redes parecem ser as próximas formas dominantes de organização - muito tempo depois do surgimento das tribos, hierarquias e mercados- a chegar ao seu próprio modo de redefinir as sociedades e assim fazendo, a natureza do conflito e da cooperação . [Ronfeldt & Arquilla, 60] Nesse sentido, a sociedade necessita da diversidade desta rede para sobreviver. O espaço informacional catalisa o processo de agenciamento coletivo. E, esses agenciamentos tornam possíveis saltos acentuados, tanto, da mutação ética, como, na ação direta sobre a microfísica do poder [Foucault, 28]. Há propensão das pessoas que habitam o ciberespaço, e fazem dele uma extensão da própria vida, de encarar a internet como um novo lugar. E neste lugar existem pessoas conversando com pessoas [Locke, Weinberger; 45]. Muito embora, a fronteira eletrônica extrapole a noção de lugar geográfico. Lugar ou não-lugar não faz diferença. Nesse contexto, o lugar passa a ser definido como uma interface cultural que tem no link a expressão do inter-relacionamento de pessoas, grupos, do tempo, do espaço [Mannovich, 50; Weinberger, 69]. Lugar é um novo ambiente de relações, de links entre coisas. Rompe com a metafísica padrão ao desconteneirizar as variáveis do tempo, espaço, do conhecimento e, principalmente, do ser. A esquizofrenia aflora nessa sociedade mediada pelo digital [Weinberger, 70]. Essa esquizofrenia, na verdade, é a emergência de novas formas de subjetividades. Lovink e Schneider afirmam: ‘os esforços ao nível da produção demandam novas formas de subjetividade, que conduzem, quase que necessariamente, à conclusão essencial que todos somos ‘experts’. Há um superfluxo dos recursos humanos e de um extremo brilho na experiência do cotidiano, que nos deixa, dramaticamente, perdidos na 'academificação ' da teoria da esquerda radical. O novo paradigma ético- estético vive sobre uma consciência pragmática do trabalho afetivo, na atitude ‘nerd’ de uma classe trabalhadora digital, na onipresença de forças migrantes, assim como, muitas outras experiências nos limites, com noções profundas de amizade nos ambientes das rede de computadores, bem como no mundo real '. [Lovink & Schneider, 49] A internet é uma metáfora daquilo que entendemos como uma sociedade em rede hiperconectada. Ela não existe per si. Existem muitas internets. Por exemplo, os bancos a utilizam para interação com clientes; as rádios reverberam o jabá online; a uol, aol, terra disponibilizam o último suspiro da mídia de massa; os blogs nos mostram a diversidade das vozes, etc. Grande parte desses sistemas atuam na manutenção das forças e perpetuação do poder do capital globalizado. Ou seja, aquilo que chamamos 'mainstream', operado dentro da lógica do capitalismo imperial. No entanto, há uma pequena porção da internet que se descola dessa lógica, constituindo um ambiente de compartilhamento de informações e catalisação do conhecimento. A colaboração reaparece como uma das forma de diminuir a fricção entre a sociedade e os anseios das pessoas. Está surgindo uma consciência inequívoca de que a construção de baixo para cima tem muito para oferecer para o desenvolvimento do processo coletivo. E, assim, tudo muda. Crianças aprendem a colaborar, a desenvolver projetos online e a espelhar os sonhos no ambiente web [Brown, 09]. Assim, a entrada da Web escancara as portas da comunicação, facilitando a publicação dos pensamentos mais profundos e o acesso indiscriminado destes pensamentos a qualquer ponto da rede. A Internet está ensinando os usuários a se inter-relacionarem neste espaço virtual. Colaborar significa criar para a sociedade, para o comum. Fazer acontecer independentemente do retorno financeiro a curto prazo. É esta a grande novidade. A metodologia de trabalho é simples e virtual, ou seja, qualquer pessoa com um computador conectado à rede e com um pouco de conhecimento tem a possibilidade de participar voluntariamente do espaço informacional. As vozes das pessoas estão cada vez mais altas. As pessoas sabem que precisam se desvelar. Mostrar a cara para a vida. Gritar, se revoltar, mas, principalmente, participar. Estamos inseridos num momento histórico, um enorme movimento de colaboração.
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