O Hyperlink subverte a hierarquia

O Linux é subversivo, pois transforma a estrutura imposta pela revolução industrial. Na era da Internet, desponta como o primeiro produto idealizado e concebido pela sociedade da informação. A distinção do Linux frente ao modelo comercial dominante de software, caracterizado pelos produtos da Microsoft, é, sobretudo, sua abertura. Isto significa liberdade na cessão, alteração, utilização e distribuição do software. Mas a grande inovação do Linux, ao contrário do que muita gente pensa, não está no aspecto técnico mas, sim, no social.

Compartilhar informações e conhecimento foi o que permitiu a maioria dos grandes avanços da ciência. Do mesmo modo que pesquisadores permitem a todos os demais em seus campos de estudo examinar e utilizar suas descobertas, para serem testadas e desenvolvidas além do ponto em que se encontram, os hackers que participam do projeto Linux permitem a todos os demais utilizar, testar e desenvolver seus programas. Isso é conhecido como ética cientifica. Na programação, este comportamento recebe o nome de código-fonte aberto, ou open source. Com o Linux, temos o mesmo modelo de desenvolvimento utilizado nas academias de Platão, na qual os alunos não eram vistos como a meta dos ensinamentos, mas como companheiros na aprendizagem. Este tipo de abordagem tem uma aderência ao pano de fundo anárquico encontrado na rede. As pessoas não querem mais ser telespectadores.

Os mercados são conversações. As pessoas têm a possibilidade de interagir com as comunidades na internet e, assim, protagonizar sua própria existência, buscando e construindo nas comunidades informacionais os interesses comuns. Logo, o modelo aberto não é uma invenção alucinada de um nerd finlandês. É um conceito há muito conhecido e considerado como uma alternativa para o crescimento colaborativo.