Pergunta com resposta

O referendo do desarmamento está na pauta dos jornais, das revistas e na Internet. Está rolando um debate muito legal. Uns são a favor do desarmaentos. Outros repudiam a proibição e outros acham que vão enfrentar a violência munidos de estilingues de fogo. Santa ingenuidade!

Esse é um debate difícil. Eu não tenho dúvidas daquilo que acredito. Estou do lado da vida. Sou contra as armas que tem apenas uma razão para existir, ou seja, as armas servem para abreviar a vida. No entanto, esse argumento de estar do lado da vida não é muito válido, pois aqueles que defendem a proibição do aborto também apelam para a vida para se opor aos que acreditam na liberdade das pessoas tomarem suas decisões. Assim, temos que montar argumentos mais persuasivos do que apenas lidar com a vida.

Então, falemos de morte. As estatísticas nos mostram que a maioria de pessoas que morrem por armas domésticas, ou melhor, pelas armas que são vendidads para cidadãos comuns, são resultados de crimes idiotas. Brigas de trânsito. Marido que mata a mulher ou crianças que, por descuido, fazem das armas seus brinquedos.

Esses exemplos me fazem acreditar que o desarmamento é uma boa. Penso que o futuro só será possível se a humanidade perceber que vai ter que abrir mão de algumas idéias pré concebidas, ou concebidas durante o processo civilizatório que clama por uma ruptura ou por uma revolução. O 'homem' fez da arma o atalho para o poder e, a possibilidade de se ver livre dessa ferramenta não é uma tarefa de fácil assimilação. Principalmente àqueles que tem medo do desconhecido.

No entanto, nestes tempos de terrorismo, crime organizado, pessoas se amontoando nas periferias das cidades ou de furacões que nos mostram que as mazelas estão mais próximas do que pensávamos, que a pobreza deixou de ser um problema do terceiro mundo e passou a ser uma zona encravada no capitalismo. O admirável mundo novo vai ter que passar por uma revisitação da vida como um todo.

Vejo nesse debate uma oportunidade de repensarmos a participação humana no planeta. O desarmamento não vai solucionar os problemas que a violência traz para o pais. Nada vai mudar da boca para fora. Mas, o debate é a única forma que a sociedade tem para estabelecer um novo processo de agenciamento coletivo. Podemos escolher alguns atalhos para o futuro. Esses caminhos passam pela reorganização da energia vital que faz do ser engajado participar dos destinos do mundo e, assim, protagonizar a sua própria existência. Esse debate é uma oportunidade para experimentarmos uma sociedade melhor. E fazer disso parte do cootidiano.